domingo, 28 de setembro de 2014

Two bodies in a bed- Capítulo 1



Capítulo 1- 

                   
                                                                                                                                 NARRADOR:

    Faltava dez minutos para as onze da manhã quando o céu explodiu numa chuva de confete branco, que logo se espalhou como uma mortalha branca sobre a cidade. A neve macia se esparramou pelas ruas já congeladas de Manhattan , cobrindo-as com um lençol acinzentado. O vento frio de dezembro fustigou os que faziam as compras de Natal, obrigando-os a procurar refúgio em suas casas e apartamentos.

    Na Lexington Avenue, o homem alto e forte, metido numa capa de chuva amarela, deslocava-se em meio á apressada multidão de Natal, mas num ritmo próprio. Ele caminha rapidamente, ms seus passos não era frenéticos como os dos outros transeuntes, que procuravam escapar do frio. Tinha a cabeça levantada e parecia alheio às outras pessoas, que volta e meia nele esbarrava. Estava livre depois de uma vida de purgatório, e ia para casa, para dizer á sua mulher que tudo acabara. O passado ia enterrar seus mortos e o futuro era brilhante e promissor. E ele pensava no rosto de sua amada, radiante quando ele lhe contasse as boas novas. Ao chegar à esquina da 59th Street, o sinal mudou para o vermelho e ele parou, em meio à multidão impaciente. A poucos passos estava um Papai Noel do Exército de Salvação, junto a um enorme caldeirão. O homem meteu a mão no bolço para pegar algumas moedas e ofertá-las aos deuses da sorte. Nesse mesmo instante alguém bateu-lhe nas costas , um golpe súbito e doloroso, que se espalhou por todo o seu corpo. Era algum bêbado de Natal excessivamente entusiasmado, procurando demonstrar sua cordialidade para com o mundo.

    Ou talvez fosse Bruce Boyd, que nunca compreendera a força que tinha e jamais perdera o habito infantil de magoá-lo fisicamente. Mas ele não via Bruce há mais de um ano, o Homem alto e forte tentou virar a cabeça para ver se conseguia ver quem lhe batera nas costas. Foi nesse momento que percebeu, espantado, que seus joelhos estavam começando a se dobrar. Em câmera lenta, como se estivesse a observara si próprio á distância, ele viu seu corpo cair na calçada. A dor nas costas era intensa e se irradiava pelo resto do corpo o rasgando.  Ele começou a ter dificuldade em respirar. Diante do seu corpo havia um desfile de sapatos, que parecia animados por uma vida própria. Começou a sentir o rosto entorpecido pelo frio da calçada. Sabia que não deveria ficar deitado ali. Abriu a boca para pedir a alguém que o ajudasse, e uma torrente quente e e vermelha por ela escorreu, misturando-se com a neve semi-derretida. Ele ficou observando, fascinado e aturdido, o rio vermelho avançar pela calçada e desaparecer na sarjeta . A dor estava pior agora, mas ele não lhe deu a menor importância, ao se recordar subitamente da boa notícia que levava  para sua amada. Ele estava livre. E ia dizer a ela que estava livre e poderiam viver juntos com seus filhos. Fechou os olhos, contra a brancura ofuscante do céu. A neve começou a se transformar em granizo, mas ele não mais podia sentir coisa alguma.

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